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  • Pato Branco, 24 de Outubro de 2014

Publicado em 20 de Setembro de 2013, às 04h51min

Cuide do seu colesterol

A melhor forma de cuidar e manter o nível do colesterol “ruim” em baixa é praticando algumas atitudes simples, como ter uma alimentação saudável, evitando o consumo de gorduras trans e saturadas e ficar longe do sedentarismo.

Diário do Sudoeste Dayanne do Nascimento
(Foto: Maya/Diário do Sudoeste)

Manter uma alimentação saudável e ter hábitos como praticar exercícios físicos são recomendações básicas para quem deseja viver bem e longe de complicações na saúde. Contudo, nem sempre essas orientações são seguidas e é ai que começam a aparecer os problemas. O sedentarismo e dietas ricas em alimentos compostos por gorduras trans e saturadas são alguns dos fatores que contribuem para elevar os níveis do colesterol “ruim”, o qual é um dos grandes responsáveis no desenvolvimento de doenças cardíacas e até mesmo de infarto agudo do miocárdio. 
Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 30% da população brasileira sofre com os níveis elevados do colesterol “ruim”, que além da ingestão excessiva de alimentos ricos em gorduras e a falta de atividade física, também pode se manifestar por influência de fatores genéticos. Segundo a nutricionista e professora do curso de nutrição da Faculdade de Pato Branco (Fadep), Anelise Jaeger Barancelli, se na família existem pessoas muito próximas como pai, mãe, irmãos e avós que possuem colesterol alto, é preciso ficar atento, pois a chances de também desenvolver a doença são maiores. Contudo, é possível controlar esses níveis antes deles aumentarem, através da mudança nos hábitos alimentares e a pratica de atividade física.

Entenda o colesterol
Segundo Anelise, o colesterol é uma substância lipídica (proveniente das gorduras), que existe naturalmente em todas as partes do corpo. Apesar de na maioria das vezes ele ser visto como vilão, não é sempre que ele assume este papel, pois ter um pouco de colesterol é uma necessidade do corpo humano, para que as funções biológicas ocorram normalmente. Ela também mencionou que o colesterol está presente nas paredes das células ou membranas por todos os lugares do corpo, incluindo cérebro, nervos, músculos, pele, fígado, intestinos e coração. Mas apenas uma pequena parte do colesterol é utilizada para essas funções. Por isso, quando em excesso, o colesterol no sangue se torna prejudicial e aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares.
“Imagine que seus vasos sanguíneos são uma super estrada e, através dela, são entregues nutrientes e oxigênio para todas as células do seu corpo. De repente, no meio dessa estrada, encontramos um congestionamento, que podemos chamar de colesterol. Infelizmente, neste caso, não existem luzes piscando, nem buzinas, para sinalizar o congestionamento. O sinal de que as coisas não vão bem na nossa super estrada é a pressão sanguínea que se eleva, desprendendo a placa de colesterol que estava acumulada. Quando isso ocorre, ela flui livremente para o coração ou o cérebro podendo causar um ataque cardíaco ou um acidente vascular cerebral”, relacionou.
Da mesma forma que óleo e água não se misturam, o colesterol (que é uma gordura) e o sangue (que é aquoso) também não. Por isso, para viajar pela corrente sanguínea, o colesterol deve ser embalado nas lipoproteínas. Segundo Anelise, existem vários transportadores, mas os principais são a Lipoproteína de Alta Densidade (High Density Lipoprotein - HDL) e a Lipoproteína de Baixa Densidade (Low Density Lipoprotein - LDL). 
O colesterol transportado pela Lipoproteína LDL é considerado o “ruim”, pois ele pode se depositar nas artérias e provocar o seu entupimento. Já o HDL é conhecido como o colesterol “bom”, retira o excesso de colesterol ruim para fora das artérias, impedindo o seu depósito e diminuindo a formação da placa de gordura. 
 

HDL: o colesterol protetor
Conforme a nutricionista, o colesterol “bom” tem a função de escoltar o colesterol “ruim” do sangue (LDL – colesterol “ruim”) e levá-lo de volta ao fígado, onde ele é processado e eliminado do corpo. “Ao fazer isso, o HDL diminui a possibilidade de depósito do colesterol, que está no sangue, na parede das artérias. Assim, o HDL não só ajuda a varrer o LDL, mas também protege contra doenças cardíacas, pois tem ação antioxidante e anti-inflamatória”, destacou.

LDL: mantenha-o baixo!
Desta forma é importante aumentar a quantidade do HDL (colesterol “bom”) e diminuir o LDL (colesterol “ruim”). E isso pode ser feito com algumas atitudes simples e saudáveis. Veja, por exemplo, algumas dicas da nutricionista: 
- Incorporar à alimentação alimentos integrais (pão, arroz, macarrão, biscoitos);
- Não deixar de comer três porções de frutas e três porções de legumes diariamente;
- Consumir água, aproximadamente 2 litros ao dia. Não espere sentir sede. A água aliada ao consumo de alimentos ricos em fibras ajuda no funcionamento do intestino. As fibras “varrem” o intestino levando embora as impurezas, auxiliando também na diminuição do colesterol;
- Cuidado com os alimentos ricos em gorduras trans: os “pacotinhos” que sempre acabam sendo opção de lanche (biscoitos recheados, salgadinhos, sorvetes cremosos, margarina, etc...);
- Para reduzir a gordura saturada escolha carnes magras. Retire toda a gordura aparente das carnes e, ao preparar frango, retire a pele, ainda antes do cozimento;
- Prefira gorduras saudáveis como as monoinsaturadas (azeitonas, nozes e abacate) e as poli-insaturadas (ômega 3: atum, anchova, sardinha, salmão, óleo de canola; e ômega 6: óleo de girassol, óleo de milho, germe de trigo e gergelim). Atenção à proporção de ômega 3: ômega 6 deve ser 2:1, ou seja, para cada duas partes de ômega 3, apenas uma deve ser de ômega 6. O motivo é que o excesso de ômega 6 pode promover processo inflamatório;
- Prefira alimentos assados ou grelhados, ao invés de fritos;
- Prefira queijos brancos. Quanto mais amarelados e cremosos, maior a quantidade de gordura saturada;
- Margarina, manteiga e nata procure reduzir o consumo e opte somente por uma delas. Não utilize as três juntas.
- Nas saladas, com moderação, utilize azeite de oliva como tempero;
- Atividade física: além de diminuir os níveis de LDL (colesterol “ruim”), aumenta os níveis de HDL (colesterol “bom”). Isso ocorre porque durante o exercício, a circulação sanguínea é aumentada, ativando o fluxo de sangue nas veias e artérias. Isso evita que as gorduras se instalem e se acumulem nas paredes das artérias.
De acordo com a nutricionista, o corpo humano fabrica aproximadamente 70% do colesterol que necessita, o restante ele extrai dos alimentos que a pessoa ingere. Assim, se ela consumir muitos alimentos que ajudam a aumentar os níveis do colesterol LDL (colesterol “ruim”), estará colocando em risco sua saúde. Por isso, manter uma alimentação saudável aliada aos exercícios físicos é fundamental para o bem-estar do coração e do funcionamento do corpo em geral. Também a realização de exames laboratoriais, para controle dos níveis do colesterol, é importante. Para adultos jovens, Anelise explica que o recomendado é fazer um exame pelo menos a cada 5 anos e conforme a idade for aumentando, o tempo de intervalo entre os exames deve diminuir.